Músicos de 2001

Mário Delgado
No seguimento de uma encomenda do Festival de Jazz do Porto, para a sua edição de 2000, o guitarrista Mário Delgado reuniu-se a quatro bons músicos e compôs o "Projecto Filactera" dedicado aos seus heróis da banda desenhada. O resultado é bastante divertido, interessante e criativo, nunca caindo na facilidade musical. Não seria de esperar outra coisa deste grande músico português, que já tivemos oportunidade de apreciar no 1º ANGRAJAZZ integrado no grupo de Carlos Martins. Desde 1990, Mário Delgado tem mantido uma actividade pedagógica ligada à Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal e aos seus cursos itinerantes, onde tem a seu cargo as disciplinas de Guitarra, Harmonia e Classe de Combo. Paralelamente tem participado em inúmeros projectos com muitos músicos portugueses

Cedar Walton
O pianista e compositor norte-americano CEDAR WALTON nasceu em Dallas, no Texas em Janeiro de 1934. A mãe, que era professora de música, deu-lhe as primeiras lições de piano, ao mesmo tempo que ele estudava também clarinete. Desde a adolescência participa em jam-sessions e faz parte de uma orquestra de rhythm and blues. Acompanhador respeitoso e rigoroso, compositor prolífico (Ugetsu, Ojos de Rojo, The Maestro, Suite Sunday, Fiesta Espanola...), arranjador que não recusa nenhuma dificuldade harmónica, CEDAR WALTON é o que se poderia chamar um profissional exemplar. O repertório bebop não tem segredos para ele, tocando os ritmos mais complexos com um swing permanente. É igualmente um solista que esconde o seu virtuosismo sob o humor e o seu temperamento bluesy mas também sob arabescos com a mão direita bem ao estilo de Bud Powell. A partir dos anos setenta torna-se ainda mais rico e as suas figuras musicais mais complicadas. Com um dedilhado de grande precisão, WALTON tem prazer em misturar os géneros (blues, stride, bebop) e a algumas das suas frases não falta andamento clássico, como se quizesse, com modéstia, agarrar-se à demonstração de que o jazz também é uma grande música.

Paolo Fresu
Este famoso trompetista e compositor italiano nasceu numa pequena aldeia do norte da Sardenha em 1961, tendo começado a sua carreira profissional em 1982 com Bruno Tommaso. Em 1985 grava o seu primeiro álbum como leader, seguindo-se um outro com David Liebman. A partir de então é a consagração internacional com numerosos concertos nos Estados Unidos, França, Inglaterra, etc.. Em 1996 ganhou o prémio de melhor músico estrangeiro da AcademSia do Jazz de Paris o "Django d'Or" também para o melhor músico estrangeiro. No ano passado voltou a ser distinguido com este galardão.

Roseanna Vitro
A cantora Roseanna Vitro nasceu em Hot Springs, Arkansas, tendo crescido ao som do Gospel, Soul, Rock'n Roli e Rhythm & Blues. No final dos anos 70 mudou-se para Houston onde conheceu duas influências fundamentais para a sua carreira musical, o saxofonista tenor Arnett Cobb e o vocalista Ray Sullenger, que lhe "mostraram" o jazz, em especial o vasto legado das grandes cantoras e trouxeram-na para Nova Iorque. A partir de 1978 Roseanna Vitro tem desenvolvido a sua carreira que já conta com oito álbuns acompanhada por grandes músicos. Em 1994, 1995 e 2000 a votação dos críticos da revista Down Beat elegeu-a como um "talento merecendo o mais amplo reconhecimento". O saxofonista Gary Bartz tem uma enorme carreira ao lado dos grandes (Max Roach, Art Blakey, Miles Davis, McCoy Tyner, entre outros). Desde 1998 os críticos da revista Down Beat elegem-no como um dos melhores saxofonistas alto do jazz.

Sonny Fortune
Nasceu em Filadélfia, em 1939 e, após os estudos musicais, começa a sua carreira profissional em grupos locais de Rhythm & Blues e de Rock. Aos vinte e oito anos, por encorajamento de John Coltrane, instala-se em Nova Iorque, onde substitui Frank Foster durante dois meses e meio na formação de Elvin Jones. Durante dois anos toca com Mongo Santamaria e Leon Thomas. Em 1971 junta-se a McCoy Tyner, com quem fica igualmente dois anos. A partir de então toca com diversos músicos, nomeadamente Miles Davis e novamente Elvin Jones.

Sonny Fortune é representativo duma nova geração de saxofonistas que não rejeitam nem o passado do jazz nem os tipos de música próximos contemporâneos. Herdeiro da corrente Parker-Coltrane, Fortune é o criador dum clima lírico original e típico do jazz dos anos 80.

O pianista George Cables tem tido uma carreira brilhante ao lado de muitos grandes nomes do jazz (Art Blakey, Max Roach, Sonny Rollins, Freddie Hubard, Art Pepper, Dexter Gordon, etc., etc.). O seu fraseado elegante, sentido rítmico muito fino, fluidez e toque percussivo, seco e firme são características que foi afirmando ao longo destas suas colaborações.

Steve Turre
Trombonista e compositor norte-americano, Steve Turre nasceu no Nebraska em 1948. Depois de ter gravado com Santana e com Van Morrisson, toca com o grande Roland Kirk. Em 1972 entra para o grupo de Ray Charles e a partir daí tem tido uma carreira brilhante e variada, tocando em várias formações históricas, como por exemplo a Brass Fantasy, a United Nation Orchestra de Dizzy Gillespie, a Thad Jones-Mel Lewis Big Band ou ainda a grande orquestra de McCoy Tyner.

Steve Turre conhece bem a história do trombone, sendo um verdadeiro mestre, sempre ancorado na tradição. Os seus talentos de arranjador e de compositor têm contribuído para o sucesso dos grupos a que se junta. A sua música incorpora frequentemente elementos musicais africanos, das Caraíbas ou sul americanos. É ainda especialista em tocar jazz com conchas marinhas.

Desde 1998 é eleito o melhor trombonista de jazz pelos críticos de jazz de todo o mundo que participam na votação anual da revista Down Beat.

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